A Liga de Orações do Imperador Carlos
Um breve Histórico
Dr.ª Maria Habacher
O pré-requisito para que um Processo de beatificação venha a ser considerado é a resposta excepcional a orações de pedidos particulares, resposta essa atribuída à intercessão da pessoa em questão. Portanto, via de regra, se tal Processo é iniciado, essa pessoa começa a ser invocada como intercessora apenas depois de sua vida santa e morte.
Contudo, o caso do Venerável Servo de Deus Carlos, antigo Imperador da Áustria e Rei da Hungria e Boêmia, é diferente porque a liga de orações que se vincula a ele remonta à sua infância. O fato deu-se assim: O Arquiduque Carlos Francisco José nasceu aos 17 de agosto de 1887, no Castelo de Persenbeug, às margens do Danúbio. Posteriormente, seus pais estabeleceram residência em Ödenburgo (Sopron), quando o pai do Arquiduque – Arquiduque Otto – estava aquartelado na guarnição desta cidade. O pequeno Arquiduque começou a ser instruído em 1895, e o sacerdote Frei Norberto Geggerle, O.P., de uma comunidade dominicana da vizinhança, foi chamado a ser seu professor de religião. Sentia-se muito satisfeito com a receptividade aos valores religiosos e com os manifestos e entusiásticos esforços para levar uma vida de piedade do seu aluno principesco. Frei Geggerle também estava envolvido com o Instituto das Irmãs Ursulinas na qualidade de professor de religião e, em conversa, mencionou aí seu proeminente aluno da Casa Imperial, louvando-o por essas virtudes. Sua interlocutora, Madre Vinzentia, Diretora do internato, fez o inesperado e surpreendente comentário: “Sim. Ele deve ser envolvido em orações, pois haverá de se tornar Imperador um dia, e terá que sofrer muito. Ele será um alvo especial do Inferno”. Madre Vinzentia nascera em Graz, aos 18 de junho de 1852, trazendo, de família, o nome de Aluísia Fouland e entrara para as Ursulinas de Ödenburgo. Tinha o carisma das profecias que, como esta, poderiam ser incompreensíveis no momento em que eram ditas, mas que, depois, mostravam-se ser verdadeiras. Frei Geggerle ficou certamente aturdido diante desta afirmação profética e contou-a ao Conde e à Condessa Wallis, que estavam encarregados da educação e formação do Arquiduque. Tratava-se de um pensamento ousado. Considerando a linha de sucessão naquela época, a previsão de que o Arquiduque deveria tornar-se Imperador soava estranha e improvável. No entanto, o Conde e a Condessa Wallis levaram a sério a segunda parte da profecia de Madre Vinzentia, ou seja: que o Arquiduque tinha necessidade de orações em seu favor, caso estivesse fadado ao destino de sofrimentos que ela tinha profetizado. Um pequeno círculo de orações foi fundado em 1895, recrutado pelo Conde e a Condessa Wallis entre os amigos e conhecidos da família do Arquiduque. Além desses, Irmãs, estudantes do convento das Ursulinas, da escola e do internato, assim como as famílias das estudantes que, em suas casas, receberam a mensagem dos Condes devem ser contados entre os membros deste primeiro círculo de orações, início da Liga de Orações do Imperador Carlos.
Os trágicos acontecimentos de 28 de junho de 1914, que tiveram por resultado a terrível Guerra Mundial de 1914 a 1918 e mudaram a história do mundo pelo desencadear de movimentos políticos rumo a novas direções, mostraram a veracidade da profecia de Madre Vinzentia. Depois do assassinato do Herdeiro Presuntivo, Arquiduque Francisco Ferdinando, e de sua esposa Sofia, em Saravejo, o Arquiduque Carlos tornou-se o novo Herdeiro do trono – sua sucessão ao Imperador Francisco José, então com 84 anos, logo mostrou-se iminente. “Haverá de ser Imperador...”, tinha profetizado a Madre Vinzentia. O pequeno círculo de orações fundado em 1895 ganhou novo fervor com a compreensão de que a verdade da declaração de Madre Vinzentia tinha sido provada.
O Imperador Carlos tornou público seus planos para a futura estratégia de seu reino no seu Manifesto da Ascensão: “Farei tudo o que está em meu poder para banir os horrores e sacrifícios da guerra o mais breve possível e restituir aos meus povos a dolorosamente perdida bênção da paz”. Todas as aspirações e esforços do Imperador durante os dois anos que lhe foram dados reinar tinham por fundamento esta intenção.
Presume-se que os posteriores acontecimentos externos sejam bem conhecidos: o colapso dos frontes, a queda da monarquia na pátria, a destituição e o exílio do Imperador e de sua família, e a miséria e a fome que engolfaram as nações da monarquia.
No dia 1º de abril de 1922, o Imperador e Rei partiu desta vida com apenas 34 anos. Uma Imperatriz viúva, com sete filhos entre 9 ½ e um ano de idade (e, ainda, esperando outra criança para dentro de dois meses), encontrou-se, junto ao seu leito de morte, destituída e exilada de sua pátria.
Já por esta época, o círculo de orações da pequena comunidade com suas raízes em Ödenburgo tinha se espalhado mais além, e muitas pessoas fiéis e conscienciosas, de todas partes da monarquia, começaram a rezar pelo Imperador. O círculo de orações, que se agrupara por causa da profecia de Madre Vinzentia, diante da constatação do cumprimento da profecia através das dolorosas ocorrências do exílio e desterro do Imperador de sua pátria e as subseqüentes disposições que os traidores e as forças vencedoras lhe impuseram, continuou orando com maior fervor. Não é possível afirmar quantas eram estas pessoas; a comunidade ainda não estava construída sobre meios de verificação estatística, embora tenhamos provas datadas de 1897 de que ela tinha uma certa forma de organização. Um cartão de afiliado, referindo-se à associação com o primeiro desenvolvimento da Liga de Orações, foi conservado, mas não sabemos nada a respeito do número de pessoas que pertenciam a este íntimo círculo desde o seu começo até a morte do Imperador. A comunidade de oração, que se viu justificada em seu propósito (a saber: a necessidade de oração pelo Imperador durante sua vida), gozou de um enorme crescimento nos anos que se seguiram à morte do Imperador e quando as causas e circunstâncias de sua morte tornaram-se conhecidas por todo o mundo.
Na pátria, o primeiro pronunciamento a respeito de sua vida de sofrimentos em terra estrangeira e de sua heróica morte cristã, como sub specie aeternitatis (sob o aspecto da eternidade), e reconhecendo nisso uma obrigação moral, encontra-se numa carta de Guilherme Miklas (o futuro Presidente da República, que, então, era um membro da Assembléia Nacional e professor de Escola Secundária), escrita para o Cardeal Piffl em 1º de abril de 1923, um ano após a morte do Imperador. Em sua carta de Páscoa ao Cardeal, ele incluiu o pedido para o início do Processo de beatificação do Imperador Carlos. Além da reparação pelas injustiças cometidas contra o Imperador e sua família, desde então, a nova meta da Liga de Orações tornou-se rezar pela rápida beatificação deste Servo de Deus, que, de fato, assim provou sê-lo, lutando para viver verdadeiramente uma virtuosa vida cristã, e pelo sacrifício expiatório de sua morte.
O círculo da Liga de Orações agrupou-se em torno da direção do Barão Hans Karl Zener-Spitzenberg, da Senhora Emmy Gehrig (que encarnava vigor e talentos organizativos em grau fora do comum) e de sua assistente no Secretariado, a Senhora Afonsa von Klinkowstöm. Por fim, em 1925, foram feitos esforços para se conseguir uma posição segura, com reconhecimento eclesiástico, para a Liga de Orações do Imperador Carlos. Este empenho resultou na aprovação eclesiástica da comunidade de oração pelo Bispo sufragâneo e Vigário Geral de Feldkirch, Sua Excelência Reverendíssima Dom Sigismundo Waitz – mais tarde, Arcebispo de Salzburgo. Desta conquista em diante, uma oração, que foi recomendada aos membros para rezarem, apareceu no programa da Liga de Orações. Os membros da associação, como também outras pessoas que se dirigiam ao Imperador Carlos em oração, foram solicitados a relatar ao Secretariado da Liga de Orações os pedidos atendidos. Uma quantidade considerável de material referente à Liga de Orações espalhou-se por todo o mundo e declarações de numerosas preces atendidas, atribuídas à intercessão do Imperador Carlos, foram recolhidas. Infelizmente, este arquivo tão precioso para a história da Liga de Orações, não foi preservado. Um período de riscos iniciou-se para os seus membros depois que a Alemanha Nazista ocupou a Áustria. A associação de oração, sem dúvida de natureza religiosa, mas também patriótica, era um estorvo para os novos governantes. O Barão Zeβner, campeão da independência austríaca e justiça para a Casa Imperial, foi preso aos 18 de março de 1938, apenas uma semana após a tomada dos Nacional-socialistas. Ele foi o primeiro mártir da Áustria durante o período Nazista, morrendo no campo de concentração de Dachau, em 1º de agosto de 1938. A Senhora Emmy Gehrig também esteve detida por um breve tempo.
Como é compreensível, a Secretária, Senhora von Klinkowstöm, ficou aterrorizada e cheia de preocupações com a possibilidade do arquivo da Liga de Orações vir a cair nas mãos da Gestapo. Se isso acontecesse, a Gestapo teria acesso a muitíssimos nomes, e alguns dos membros poderiam ser ameaçados de prisão. Com o intuito de evitar tudo isso, ela os queimou e, portanto, não temos nenhuma anotação relativa a esta segunda fase da Liga de Orações, ou seja, desde a morte do Imperador até 1938. As únicas informações desta etapa encontram-se nos boletins anuais comemorativos do Imperador Carlos, que foram publicados de 1929 a 1938 pelo Barão Zeβner.
A Liga de Orações espalhou-se primeiramente nos antigos territórios do Império Austro-húngaro, onde já era conhecida, e logo depois, na Suíça, uma vez que o Imperador se tornou bastante conhecido e fez muitas amizades durante seu exílio aí. Em seguida, durante seu exílio na Ilha da Madeira, o Imperador foi muito honrado pelos habitantes da ilha. Sua popularidade foi atestada da melhor maneira pelo fato de que, de acordo com os relatos, 30.000 pessoas participaram do seu funeral. Ele tornou-se o “seu santo”, o santo dos portugueses da Ilha da Madeira, que fazem uma peregrinação ao seu túmulo junto com a peregrinação mariana ao Monte. Estas numerosas pessoas também devem ser contadas como pertencentes à Liga de Orações, p
A Liga de Orações também se expandiu no sul da Alemanha, visto que alguns alemães católicos reconheceram claramente a verdadeira grandeza desse monarca, apesar da propaganda divulgada entre eles que retratava o Imperador como um fraco e traidor. Membros da Liga de Orações também podiam ser encontrados na França, Itália, Inglaterra, Bélgica e Holanda. Logo, países não europeus foram incorporados, informados por materiais divulgativos e por missionários austríacos a respeito do perfil moral do Imperador Carlos e da Liga de Orações. Assim, ela alastrou-se nos Estados Unidos, Canadá e na América do Sul. Por volta de 1938, quando as atividades da Liga de Orações depararam-se com um violento fim, Emmy Gehrig estimava em 25.000 os membros da Liga de Orações em todo o mundo. De 1938 a 1945, quando o regime Nacional-socialista impediu a aberta participação na Liga de Oração e o progresso de seu desenvolvimento na Áustria, Alemanha e outros países europeus atingidos pela guerra, a Liga subsistiu na Suíça e em nações não européias onde já estava instituída antes de 1938.
Muitos austríacos lamentaram o fato de que o lugar do repouso final do Imperador era tão distante de sua pátria. Muitos sentiam que, ao menos um monumento em sua honra deveria existir em Viena. Devido aos numerosos pedidos de um monumento, a Liga de Orações aceitou sua ereção como uma de suas tarefas específicas. Foi necessário achar um local apropriado. A igreja de São Miguel foi escolhida, onde a primeira capela lateral à esquerda foi transformada na capela memorial do Imperador Carlos. Um monumento simples para o Imperador-mártir foi feito. Na parede do lado direito da capela, foi colocada uma grande cruz de mármore branco sobre painéis de revestimento de mármore cinza, com uma placa comemorativa de bronze em forma circular, rodeada por uma coroa de espinhos e louros engastados por baixo. Na inscrição, feita com a intenção de expressar o objetivo de toda a vida do homem a ser imortalizado, lê-se: “Ele buscou a paz e encontrou-a em Deus”. O monumento ao Imperador Carlos na igreja de São Miguel foi um projeto criado por Hans Schwathe (1870-1950), artista que então vivia em Viena e que já gozava de renome no tempo da monarquia.
No Domingo de Ramos, 1º de abril de 1928, o antigo capelão do Palácio, Dom Ernesto Seydl, que compartilhou o período de exílio na Suíça com a Família Imperial, fez a dedicação, conforme o Cerimonial, do monumento. Muitos convidados de honra, organizações e associações participaram de todo o ritual da dedicação, e grande número de pessoas lotou a grande Praça de São Miguel.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Liga de Orações precisou ser restabelecida na Áustria depois de uma interrupção, pelo período Nazista, de sete anos. A Senhora Emmy Gehrig, que já era ativa antes da guerra, reassumiu seu trabalho com ininterrupto fervor e, em 1947 – graças ao seu anterior conhecimento prático e aos seus relacionamentos daquela época –, foi capaz de reconstruir a infra-estrutura e as atividades da comunidade. Carlos, Conde Czernin, pôde garantir uma concessão preliminar da Diocese de Gurk-Klagenfurth para a formação da Liga de Orações como uma comunidade eclesiástica com aprovação para materiais impressos. Contudo, isso não concedia à organização o reconhecimento episcopal. A Senhora Gehrig, em virtude do seu conhecimento dos grupos previamente existentes e de seus contatos, pôde reativar muitos deles, tanto na Áustria como no exterior, a ponto de, em 1950, a Liga de Orações já contar com 9.900 membros. Um grupo foi fundado para a Itália, especialmente no Tirol do Sul, em novembro de 1947. Em 1952, no encontro do Comitê Executivo, a fundação de um grupo na República Federal da Alemanha foi anunciada. O grupo suíço, que não sofreu interrupção durante os anos de guerra, contava, em 1954, com um número de 1.800 membros.
Um grupo para o restante da Itália (separado do Tirol do Sul) foi fundado em 1949, e também, outro na Inglaterra. O ano de 1950 viu a fundação de grupos para a França, Bélgica e Luxemburgo, como ainda um para a Hungria no exílio que, posteriormente, foi transferido para os Estados Unidos e a Nova Zelândia com a emigração de seus membros-líderes. Em 1952, um grupo foi formado na Holanda; e outro para Portugal e Ilha da Madeira estava na fase de estruturação, em 1953. Um grupo para pessoas banidas de suas pátrias foi criado em 1951, mas, depois, assimilado nas várias novas pátrias.
Desde o início da reconstrução da Liga de Orações depois da guerra, a Senhora Gehrig retomou novamente a organização de eventos de reunião sob a forma de encontros e peregrinações para os vários membros, bem como a praxe de encontros regulares do Comitê Executivo para continuar o trabalho da Liga de Orações. No início, os membros da Liga de Orações encontravam-se em locais perto de Viena, como o santuário de peregrinações Kahlenberg e o mosteiro Klosterneuburg (1948, 1950). A primeira Assembléia Geral da Liga de Orações deu-se em 1953, em Altötting. A partir de então, os encontros do Conselho Presidencial e as Assembléias Gerais têm sido organizados, a cada ano, em diferentes lugares.
Desde 1953, o boletim anual da Liga de Oração vem sendo publicado, todos os anos, para os seus membros. Relata o contínuo trabalho e os eventos da Liga, e oferece não só ensaios de projeção a respeito do Imperador Carlos, mas ainda vários textos religiosos (sermões e palestras pronunciadas em cada encontro) para compilação e estudo, de modo que todos possam ser mais informados a respeito da faceta religiosa da personalidade do Imperador Carlos.
Em 1957, uma menção é feita referindo-se à expansão da Liga de Orações na América e no Canadá, com 250 solicitações apresentadas. Em 1959, há uma nota informativa sobre o excelente trabalho do grupo espanhol. O grupo alemão registra 600 membros em 1954, entre os quais encontram-se muitos mosteiros com uma única assinatura para representar centenas de pessoas orando.
A aprovação da Liga de Orações pela Arquidiocese de Viena deu-se em 1957, conseguindo desta forma o pleno reconhecimento como organização aprovada eclesiasticamente. Em 1964, a Liga de Orações do Imperador Carlos para a Paz dos Povos foi erigida como uma associação eclesiástica com estatutos. Seguindo a conduta da Arquidiocese de Viena, a Liga de Orações, em 1967, foi fundada como associação eclesiástica com estatutos na Diocese de Regensburgo; e, em 1970, na Arquidiocese de Friburgo. Desde o tempo do primeiro estabelecimento da Liga de Orações com aprovação eclesiástica em 1925 até 1º de março de 1938, 10.000 relatos de orações atendidas foram submetidas a exame, os quais foram vítimas da destruição em virtude da ascensão do governo Nazista. Em 1964, a Senhora Gehrig, eleita Presidente Executiva, pôde anunciar 3.325 novos relatos de orações atendidas, e que as tabelas do total de número de membros em cada grupo de países resultava na grande soma de 32.210 membros.
Aquilo que a Liga de Orações não pôde atingir antes dos acontecimentos de 1938 (devido ao caráter limitado tanto do tempo de sua atividade, como do de sua influência no pós-morte do Imperador) foi, em comparação, rapidamente conseguido pela “re-fundada” Liga de Orações, depois da Segunda Guerra Mundial: o início do Processo de beatificação, que fora sua meta desde 1923 – ou melhor, desde sua aprovação episcopal em 1925. Graças à incansável determinação e orientação da Senhora Gehrig, que fez todo o possível para atingir este objetivo para a Liga de Orações, a Arquidiocese de Viena teve a possibilidade de pedir ao Vaticano o início da primeira fase do Processo em 1949. No dia 3 de novembro de 1949, a Rádio Vaticana anunciou que o Processo de beatificação do Imperador e Rei Carlos da Áustria tinha começado. No final de 1952, o Vice-postulador da Causa, Dom von Magyary, comunicou que os sete processos diocesanos, que serviam de base para a fase do agrupamento de informações para o processo apostólico em Roma, estavam chegando ao seu fim. As notícias prosseguiram nos relatos do encontro do Presidente em 1956, dizendo que a tradução dos transcritos dos inquéritos – que encerravam milhares de páginas e que deveria levar cerca de 2 ½ anos para ser feita – terminaria em julho de 1957. Poder-se-ia esperar que o processo romano finalmente teria início no começo de 1960. O andamento do Processo da Causa continua a ser relatado nos boletins anuais da Liga de Orações.
A composição do Conselho Presidencial da Liga de Orações e dos participantes do Processo de beatificação, evidentemente, mudou diversas vezes no correr das décadas. A incansável Presidente Executiva Emmy Gehrig perseverou em seu trabalho pela Liga de Orações até quase o fim de sua vida. Esteve presente na peregrinação anual e no encontro do Conselho Presidencial de 1974. Faleceu aos 3 de novembro de 1974.
Em 1972, o Padre Estevão Sommer de Lilienfeld foi nomeado Diretor Regional do grupo da Baixa Áustria. Em 1975, sua jurisdição como Diretor Regional da Baixa Áustria foi alargada, de modo a incluir a cidade de Viena e áreas circunvizinhas. O Arcebispo de Viena, Cardeal Franscisco König, nomeou-o, em 1976, Vice-presidente da Liga de Orações. Os arquivos, tendo crescido uma vez mais, foram transferidos para o mosteiro de Lilienfeld, onde, com o Secretariado supervisionado pelo Padre Estevão Sommer, permaneceram até sua morte aos 26 de março de 1994. Foram, então, transferidos para St. Pölten, no final de 1994. O Arcebispo de Viena, Cardeal Hans Hermann Gröer, em conformidade com os estatutos da Liga de Orações, designou novamente os mesmos membros para o Conselho Presidencial em 1994 e nomeou o Bispo Dom Kurt Krenn, da Diocese de St. Pölten, como Presidente; a Senhora Mariana Egger e o Padre Reinhard Knittel, como Vice-presidentes; e o Senhor João R. Parsh, como Presidente Executivo da Liga de Orações. A década que se seguiu, trouxe a conclusão preliminar do tão esperado Processo de beatificação, um Processo conduzido com paciência e perseverança. O decreto sobre as virtudes em grau heróico do Servo de Deus foi aprovado e assinado pelo Papa João Paulo II aos 12 de abril de 2003, e o decreto reconhecendo o milagre submetido a exame durante o inquérito foi assinado aos 20 de dezembro de 2003.
Isto levou o Processo de beatificação a uma conclusão preliminar. A proclamação pública e a elevação do Venerável Servo de Deus Carlos da Áustria a Beato da Igreja Católica deu-se aos 3 de outubro de 2004, na Praça de São Pedro, em cerimônia presidida pelo Papa João Paulo II.